Zé Carlos Pelicho

Entre o que somos e aquilo que podemos ser

Das estradas do mundo ao caminho para dentro de mim

Se há coisa que a minha vida teve, foi quilómetros rodados! Durante muitos anos, o meu mundo traduzia-se no asfalto sob as rodas, na rádio a dar música e na paisagem a mudar do outro lado do para-brisas. Conduzi camiões pela Europa fora, vivi na Suíça, limpei piscinas de luxo, trabalhei no campo e meti a pata na poça mais vezes do que aquelas que gostaria de admitir. Mas, lá está, é com os erros que a gente aprende!

Passei décadas a achar que o meu destino era andar sempre em movimento, de cidade em cidade, ao volante de um camião ou de um autocarro. Só que, em 2010, a vida resolveu dar-me um "pneu furado" daqueles grandes.

Perdi pessoas que amava muito, a solidão apertou e fiquei completamente sem chão. Pela primeira vez na vida, encostei à berma. E foi no meio desse nevoeiro todo que me sentei ao computador e pesquisei no Google, meio a brincar, meio a sério: “Como ser feliz?”

Parece uma pergunta tonta, mas essa pesquisa mudou tudo!

Mergulhei de cabeça nos livros, fiz cursos, questionei tudo o que achava que sabia e percebi que a minha vida tinha, afinal, duas grandes viagens: a primeira foi feita pelas estradas da Europa; a segunda, muito mais desafiante, foi para dentro de mim próprio.

Não escrevi este texto por me achar um super-herói. Escrevi-o porque sou um gajo simples que viveu muito, caiu, levantou-se e aprendeu pelo caminho. E se a minha história servir para te dar um empurrãozinho ou arrancar um sorriso, já valeu a pena!

Por isso, puxa de uma cadeira e sente-te em casa. Lembra-te só disto: nunca é tarde para dar a volta, mudar de direção e recomeçar. A estrada só acaba quando tu queres!

Zé Carlos Pelicho